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Episiotomia

Objetivo da Episiotomia

Durante um longo período a episiotomia foi um procedimento cirúrgico realizado quase como rotina na assistência médica ao parto no mundo todo.

Ela teria como objetivo e indicação para a mãe:

  • reduzir a probabilidade de laceração (rotura) perineal do terceiro e quarto grau (quando atinge o esfíncter externo do ânus ou o reto);
  • preservação da musculatura perineal e função da atividade sexual;
  • redução de incontinência urinária e fecal;
  • ser mais fácil de reparar e cicatrizar que uma laceração.

Para o recém-nascido apresentaria como vantagem:

  • diminuição da probabilidade de asfixia, traumatismo craniano, hemorragia cerebral e retardo mental.

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Efeitos adversos da Episiotomia

Por outro lado, tem como possíveis efeitos adversos:

  • extensão (prolongamento) do corte com lesão do esfíncter anal e reto (laceração terceiro e quarto grau);
  • resultado anatômico não satisfatório;
  • probabilidade de fístula reto-vaginal ou anal;
  • aumento da perda sanguínea e anemia;
  • dor e edema (inchaço) locais;
  • infecção ou deiscência (abertura do corte e pontos);
  • disfunção sexual.

No Brasil o índice da realização de episiotomia ainda é muito elevado. A Organização Mundial da Saúde (O.M.S.) recomenda atualmente uma taxa ideal em cerca de 10% dos casos com uso seletivo deste procedimento, e após o consentimento informado e esclarecido da gestante. A realização da episiotomia deve obedecer a uma indicação clara materna ou fetal, como a de evitar lacerações maternas graves ou de facilitar nascimentos difíceis.

Indicações médicas

Apresentam-se, portanto ainda como possíveis indicações médicas para a episiotomia:

  • parto prematuro;
  • parto instrumental (fórcipe ou vácuo-extrator);
  • parto pélvico;
  • frequência cardíaca fetal não tranquilizadora (risco de sofrimento fetal);
  • macrossomia fetal (bebe grande, maior que 4kg);
  • períneo rígido;
  • distocia (dificuldade desprendimento) do ombro;
  • ameaça ruptura perineal grave.
  • Segundo alguns trabalhos recentes e levantamentos estatísticos, a episiotomia mediolateral clássica não protege o esfíncter anal e pode até ser fator de risco para a rotura perineal de terceiro e quarto graus, principalmente quando associada ao uso de fórcipe; não previne prolapso genital; aumenta a perda de sangue e morbidade (dano) materna; e causa maior dor no pós-parto e nas relações sexuais.

Uma revisão sistemática da biblioteca Cochrane de grande credibilidade, sugere evitar a episiotomia de rotina e conclui que o suposto benefício permanece controverso, havendo necessidade de mais estudos clínicos com melhor nível de evidência.

Uma nova alternativa à Episiotomia

Neste ponto, seguindo as melhores evidências atuais, precisamos de uma nova alternativa na assistência ao parto, para deste modo evitar realizar a episiotomia, sem acarretar consequências lesivo-danosas e sequelas à saúde da mulher. Com esta finalidade recomendamos o preparo prévio adequado da musculatura do assoalho pélvico/abdominal e do períneo, com o objetivo de minimizar possíveis danos, melhorar a recuperação e a satisfação pós-parto.